quarta-feira, 27 de março de 2013

Vício de internet


Internet tem efeito similar ao de drogas ou álcool no cérebro, diz pesquisa


Viciados em internet têm alterações similares no cérebro àqueles que usam drogas e álcool em excesso, de acordo com uma pesquisa chinesa.
Cientistas estudaram os cérebros de 17 jovens viciados em internet e descobriram diferenças na massa branca – parte do cérebro que contém fibras nervosas – dos viciados na rede em comparação a pessoas não-viciadas.
A análise de exames de ressonância magnética revelou alterações nas partes do cérebro relacionadas a emoções, tomada de decisão e autocontrole.
“Os resultados também indicam que o vício em internet pode partilhar mecanismos psicológicos e neurológicos com outros tipos de vício e distúrbios de controle de impulso”, disse o líder do estudo Hao Lei, da Academia de Ciências da China.

Computadores

A pesquisa analisou o cérebro de 35 homens e mulheres entre 14 e 21 anos. Entre eles, 17 foram classificados como tendo Desordem de Dependência da Internet, após responder perguntas como “Você fez repetidas tentativas mal-sucedidas de controlar, diminuir ou suspender o uso da internet?”
Os resultados então descritos na publicação científica Plos One, que poderiam levar a novos tratamentos para vícios, foram similares aos encontrados em estudos com viciados em jogos eletrônicos.
“Pela primeira vez, dois estudos mostram mudanças nas conexões neurais entre áreas do cérebro, assim como mudanças na função cerebral, de pessoas que usam a internet ou jogos eletrônicos com frequência”, disse Gunter Schumann, do Instituto de Psiquiatria do King’s College, em Londres.
O estudo chinês também foi classificado de “revolucionário” pela professora de psiquiatria do Imperial College London Henrietta Bowden-Jones.
“Finalmente ouvimos o que os médicos já suspeitavam havia algum tempo, que anormalidade na massa branca no córtex orbitofrontal e outras áreas importantes do cérebro está presente não apenas em vícios nas quais substâncias estão envolvidas, mas também nos comportamentais, como a dependência de internet.”
Fonte: BBC

sábado, 23 de março de 2013

Conhecimento Impossível


Conhecimento Impossível

 

Jesse Campos




Nos filmes "Matrix", na porta da "Oracle" há uma placa com a frase grega, numa versão em latim: "Conhece-te a ti mesmo". Pausânias, pesquisador e viajante do segundo século, registrou que a frase estava escrita no oráculo de Delfos no Templo de Apolo. A autoria dela é incerta e tem sido atribuída a diversos pensadores da antiguidade, incluindo Sócrates, Tales e Pitágoras. A origem é incerta, mas o desafio desse pensamento, muitas vezes agonizante, não é. Uma das mais profundas lutas do ser humano é conhecer a si mesmo. Bonhoeffer, o pastor e teólogo que foi preso e morto por ordem de Hitler, escreveu na prisão um poema inquietante: "Quem Sou Eu?".
A modernidade, movida pela idade da razão dos séculos passados, cria que a razão humana era suficiente para conhecer tudo e que atingiria o conhecimento absoluto e universal. Vivemos dias quando essa confiança na razão se enfraqueceu, se não de todo, desapareceu. Sabe-se que a razão humana tem uma visão sempre limitada e parcial. Alguém já disse que todos conhecem a partir de algum lugar. O conhecimento humano é definido pelo ângulo da posição finita do observador ou conhecedor. É um conhecimento parcial, se não tendencioso.
Se isso é verdade com relação ao conhecimento externo, não é menos verdade quanto à interioridade ou a conhecer-se a si mesmo. Mas, se o individuo não é suficiente em si mesmo para conhecer a ele próprio, então ele necessita recorrer a alguém além dele. Ele necessita, porque ninguém é um ser íntegro e significativo enquanto não conhecer a si mesmo. Por isso, muitos recorrem a outro ser humano, como a algum conselheiro das ciências humanas, ansiando conhecer a si mesmo. Mas isso apenas leva o problema para um passo a frente. Sendo o conhecimento humano parcial e limitado, assim também é o conhecimento do conselheiro. É inevitável conectar essa busca de aconselhamento com a indagação de Cristo: "Pode um cego guiar outro cego?" (Lucas 6.39). Séculos antes de Cristo, o salmista já lidou com essa questão, porém, de um modo totalmente diferente. Ele clamou: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece minhas inquietações" (Salmo 139.23). Diante da insuficiência do conhecimento humano, sobra apenas Deus para responder a ansiedade do autoconhecimento. O ser humano conhece parcialmente a partir de um lugar, mas Deus conhece a partir de todos os lugares. E é preciso haver esse conhecimento absoluto e divino, ou o ser, existência e realidade ficam desprovidos de qualquer nexo e significado. O vazio, inquietação e agonia que isso causa é nitidamente revelado no destroçar das pessoas na atualidade.
Reconhecendo a limitação encontrada em si mesmo, o salmista vai se abrigar no conhecimento de Deus - "...conhece o meu coração". Ele quer o conhecimento de Deus, especialmente sobre si mesmo. Porém, o termo conhecer, aqui usado, precisa ser entendido. Não se trata apenas de informação. Esse termo é usado nas Escrituras Sagradas para o conhecimento relacional e formativo. Um relacionamento de amor. A preocupação do salmista não é um mero coletar de informação. E nem é transferência de informação de Deus para ele. Isso seria impossível. O que o salmista quer é que Deus o conheça. Se ele fosse conhecido por Deus, a vida dele faria todo sentido e cada passo dele seria discernido e esclarecido a partir de Deus. Se ele fosse conhecido de Deus, então haveria uma luz além de si mesmo para seus temores, fracassos, preconceitos e vazio. O fato de ser conhecido por Deus não é apenas conhecimento pleno, mas é conhecimento que dá significado e forma à existência. Assim o salmista concluiu o salmo: "guia-me pelo caminho eterno".
Deus abriu esse conhecimento a todos a partir da cruz de Cristo. No encontro com a verdade da cruz, somos conhecidos por Deus e reconhecemos nossa necessidade de depender do conhecimento e direção de Deus. E nesse conhecimento, nossos fracassos e erros são tratados e alcançamos um sentido eterno. Na cruz, pela nossa punição colocada em Cristo, Deus revela quem somos diante dele, mas também nos recebe em perdão eterno. E então, relacionados com Ele, mesmo enquanto limitados, descansamos no fato de que somos dele, formados e dirigidos por Ele – o soberano e eterno. Em Cristo, Deus nos conhece no seu conhecimento pleno, mas em amor e graça.
Bonhoeffer, o pastor morto na prisão de Hitler, assim concluiu seu poema: "Quem sou eu? Este ou outro? Sou uma pessoa hoje e outra amanhã?... Ou há alguma coisa ainda em mim, como um exército derrotado, fugindo em debandada da vitória já alcançada? Quem sou eu?... Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!".

O Deus de Paulo



 

O Majestoso, Gracioso e Adorável Deus de Paulo!

 

Jaime Marcelino





Quem não se admira ao considerar a vida do apóstolo Paulo, especialmente à luz da carta que ele escreveu aos filipenses? Basta saber que quando a carta foi escrita, o apóstolo estava encarcerado e sem ter certeza se iria ser absolvido ou decapitado. No entanto, em nenhum outro lugar das Escrituras vemos tanto lirismo, alegria e paz, como nos escritos enviados aos crentes de Filipo!
Qual foi o segredo dessa vida em abundância? Como explicar que alguém, estando continuamente acorrentado pelos pés a cada soldado que tirava o seu turno, pudesse dizer: "em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engradecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte1?
Penso que a resposta para o viver vitorioso de Paulo acima das circunstâncias pode ser encontrada no final da carta aos filipenses quando ele afirmou num espírito de confiante adoração:
"E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Ora, a nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!2.
Então, consideremos as maravilhosas palavras: E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades:
Há em tais palavras, pelo menos, três grandiosas verdades:
1. O Majestoso Deus de Paulo;
2. O Que o Deus Majestoso Faz aos que Lhe Pertencem;
3. O Meio pelo qual o Deus Majestoso Beneficia aos que são Seus.
Consideremos, agora, a primeira verdade desse versículo 19, a saber: O Majestoso e Gracioso Deus de Paulo à luz da sua afirmação: "E o meu Deus".
Ora, essa é uma das mais significativas confissões de toda a Bíblia! E todos quantos têm o privilégio de afirmar, com toda convicção, com todo entendimento e com devoção: "Tu és o meu Deus", são verdadeiramente felizes! Afinal, tais pessoas têm um gracioso relacionamento pessoal com Deus, como pode ser visto no Antigo e no Novo Testamento:
1.1. Quanto ao Antigo testamento, consideremos alguns textos:
  • Eis o que afirmou Jacó em (Gn 28: 21): "de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o SENHOR será o meu Deus".
  • Em Êxodo 15:2, temos a contundente declaração de Moisés: "O SENHOR é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai; por isso, o exaltarei".
  • Assim falou Josué (Js 14: 8): "Mas meus irmãos que subiram comigo desesperaram o povo; eu, porém, perseverei em seguir o SENHOR,meu Deus".
  • Também Rute afirmou a Noemi (Rt 1: 16): "Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus".
  • E Davi expressou-se num momento de aguda crise (Salmos 63: 1): "Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água".
1.2. Quanto ao Novo Testamento:
  • Eis as palavras vindas da Cruz (Mt 27: 46): "Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?".
  • De novo Ele disse a Maria quando esta estava 'à entrada do túmulo' vazio (Jo 20:17):  "Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus".
  • E mais, Ele afirmou acerca dos que perseveram em fé nEle (Ap 3:12): "Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome".
Prossigamos, então, a considerar sete aspectos relacionados com o Deus de quem Paulo disse: "E o meu Deus...":
1. Em primeiro lugar, o Deus de Paulo é o Deus Trino! (Um em três pessoas).
Quanto a isto eis o que diz o Catecismo de Westminster:
"Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém - não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho" 3.
Mas, vejamos a crença de Paulo no Deus Trino conforme vista nessa carta:
  • Quanto a crer em Deus o Pai e Deus o Filho, não há qualquer dúvida, pois ambos são mencionados com toda clareza:
  • "graça e paz da parte de Deus, nosso pai, e do Senhor Jesus Cristo";
  • "e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai";
  • "Ora, a nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos4.
  • Quanto a Deus o Espírito Santo, as citações diretas são suficientes para demonstrar a crença de Paulo:
  • "e pela provisão do Espírito de Cristo";
  • "Se há... alguma comunhão do Espírito";
  • "Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne5.
O Deus de Paulo é, pois, o Deus Trino, o incompreensível no sentido de não poder ser sondado e explicável!
Que majestoso, gracioso e Trino é o Deus de Paulo!
2. Em segundo lugar, o Deus de Paulo é o Santo!
É verdade que em nenhum lugar da carta aos filipenses o apóstolo denominou diretamente a Deus como sendo Santo! No entanto, o fez quando a endereçou "a todos os santos em Cristo Jesus6.
Ora, sabendo que Deus é Santo, Paulo via aqueles que Deus chamou para Si como santos. E isto porque ele conhecia, desde o Antigo Testamento, o eco do maravilhoso princípio que diz: "Sede santos porque eu sou Santo"! Eis, pois, alguns textos extraídos do Livro da Santidade, que é o de Levítico: "Eu sou o SENHOR, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo7.
É por isso que Paulo escreveu aos crentes que estavam em Corinto dizendo: "à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor deles e nosso8.
Assim, sendo o seu Deus o Santo, o apóstolo instava aos seus irmãos filipenses para que, cheios de temor e tremor, fizessem "tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo9.

Que majestoso, gracioso e Santo é o Deus de Paulo!

3. Em terceiro lugar, o Deus de Paulo é o Único Suficiente Salvador!
Paulo tinha toda convicção que, do princípio ao fim, o Deus Trino estava envolvido na sua salvação. Por isso, ao contemplar os frutos de justiça na vida dos filipenses, afirmou: Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus 10. Em outras palavras, ao Deus Trino pertence a salvação desde a regeneração, passando pela santificação, até alcançar a glorificação que ocorrerá no Dia de Cristo!
Dessa maneira, o apóstolo Paulo estava convicto do envolvimento do Espírito de Jesus Cristo para salvá-lo 11. Estava seguro quanto ao Senhor Jesus salvá-lo definitiva e conclusivamente 12. E estava certo de que Deus, o Pai, é o Autor da salvação; por isso buscava a graça e a paz aos santos, sabendo que tais virtudes vinham "da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus"; e que tudo era "para glória de Deus Pai13.
Ora, foi esse crente, Paulo, que de modo mui comovente clamou aos filipenses para que o imitassem e aos que andavam na mesma pisada da fé cristã, dando como razão a certeza da futura salvação em e por Cristo Jesus, dizendo-lhes: "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas14.

Que majestoso, gracioso e suficiente Salvador é o Deus de Paulo!

4. Em quarto lugar, o Deus de Paulo é o Rei dos reis e Senhor dos senhores!
Ainda que muitos afirmem que Deus é o seu Deus, por suas atitudes, o negam! Não é verdade que muitos religiosos fazem do seu deus um servo? Ora, quando, por exemplo, uma pessoa estando enferma diz: 'eu não aceito tal doença', quem é que governa, ela ou o seu deus?
Por outro lado, Paulo aprendeu a sempre estar alegremente debaixo da vontade do seu Deus, em quaisquer circunstâncias! Vejamos isso aqui em Filipenses!
  • Já no início da carta, Paulo afirmou ser "servo de Cristo Jesus" (Fp 1: 1).
  • Por isso, ele se considerava um prisioneiro de Cristo Jesus e não do imperador (1: 12, 13).
  • Também seus planos estavam em completa submissão ao Seu Senhor Jesus (Fp 2: 19-24).
  • Além disso, ele se utilizou da figura de um atleta para demonstrar sua total submissão ao propósito do seu Técnico/Senhor, como o fazem os inteligentes desportistas (Fp 3: 12-14). Ora, qual é o atleta de sucesso que não atendeu às ordens do seu técnico? Assim, também Paulo, por ver a caminhada cristã como uma corrida em busca do "prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus", seguia as regras determinadas por Seu glorioso Técnico, a quem ele dizia ser: Cristo Jesus, meu Senhor!
Em outras palavras, diante do exaltado Cristo Jesus, Paulo dobrava o seu joelho e buscava, com 'tremor e temor', fazer toda a Sua vontade, a ponto de dizer: "para mim o viver é Cristo"; "tudo posso naquele que me fortalece" e "espero no Senhor Jesus mandar-vos Timóteo15.
Assim, bem que poderíamos sumariar a conduta de submissão de Paulo, como o fizeram os demais apóstolos: "Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens16.

Que majestoso, gracioso e Senhor dos senhores é o Deus de Paulo!

5. Em quinto lugar, o Deus de Paulo é o Deus Providente!
Paulo também aprendeu a não ver o seu dia a dia como um infortúnio ou constituído de acasos! Para ele, toda a sua existência, toda a sua vida neste mundo, estava sob os cuidados do seu Deus! Era assim, porque Paulo cria ser seu Deus o Soberano que tudo faz como Lhe apraz, para a realização dos Seus Propósitos justos e bons! Em outras palavras, Paulo cria na Providência conforme definida e explicada pela Confissão de Fé de Westminster, que diz:
I. Pela Sua muito sábia providência, segundo a Sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da Sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da Sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as Suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor 17.
II. Posto que, em relação à presciência e ao decreto de Deus, que é a causa primária, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente, contudo, pela mesma providência, Deus ordena que elas sucedam conforme a natureza das causas secundárias, necessárias, livre ou contingentemente 18.
III. Na Sua providência ordinária, Deus emprega meios; todavia, Ele é livre para operar sem eles, sobre eles ou contra eles, segundo o Seu arbítrio 19.
Dessa maneira, estando Paulo preso, isto não o afetava no sentido de levá-lo à murmuração ou ao descontentamento. Pelo contrário, ele usava a ocasião e buscava consolar seus irmãos que estavam aflitos, dizendo-lhes: "Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho20Por isso, Paulo cria que até as piores enfermidades, tanto nele como em seus irmãos em Cristo, eram dirigidas e ordenadas por Seu Deus e para o bem deles 21!Semelhantemente, todo e qualquer sofrimento de Paulo e dos seus irmãos eram considerados como um gracioso privilégio de sofrer por Cristo 22!
Ora, bem que podíamos esperar que Paulo, estando em situações altamente críticas e quase desesperadoras, dissesse como o crente Jó: "temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? 23".

Que majestoso, gracioso e Providente é o Deus de Paulo!

6. Em sexto lugar, o Deus de Paulo é o Deus da Aliança Eterna em Cristo Jesus!
A própria expressão: "meu Deus" indica ser Deus o Deus da Aliança (acordo, compromisso, pacto). Ou seja, "Ele é o Deus que se alia24. Ora, a mais enriquecedora dedução que se faz desse ponto é o aspecto interpessoalenvolvido na própria declaração: "meu Deus"! Em outras palavras, aqui nos encontramos vendo um homem que teve experiência pessoal com o Deus da Aliança - O Deus que se dignou a aliar-se com homens e mulheres pecadores, para lhes ser o Seu Deus e eles o Seu povo!
Vejamos isso em algumas declarações das Escrituras:
  • Gn 17: 8 - O Senhor Deus disse a Abraão, o pai de todos os crentes: "Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus".
  • Jr 31: 33 - "Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo".
  • 2Co 6: 16-18 - "Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso".
  • Hb 8: 10 - "Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo"
Então, ao dizer "o meu Deus", o apóstolo está ressaltando o relacionamento pessoal entre ele e seu Deus, o Deus Vivo, que é também o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus! Sim, o Deus de Paulo é o Deus vivo, como bem enfatizou nosso Senhor Jesus, ao responder aos incrédulos saduceus: "E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos25.
E é esse Deus que se alia de tal maneira com homens e mulheres, que Sua relação para com eles é de Pai celestial para com Seus filhos e filhas, dos quais Ele cuida. E o faz muito bem, como o apóstolo cria ao dizer: "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades"!
Oh! A essa altura, bem que poderíamos ouvir o próprio apóstolo Paulo bradar em alto e bom som: "Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? 26".
Que majestoso, gracioso e Deus da Aliança é o Deus de Paulo!
Afinal, Ele trata muito bem os Seus filhos, com os quais fez aliança no sangue do Cordeiro, providenciando tudo o que lhes é necessário para prepará-los para a glória eterna!
7. Em sétimo lugar, o Deus de Paulo é o único que deve ser Reverente e Alegremente Adorado!
Porventura, dá para percebermos a reverência de Paulo contida em toda a carta aos filipenses 27? E o que dizer da sua confiança no seu Deus 28? E o que pensar da sua maravilhosa vida de Alegria em Deus? Quanto à suaalegria indizível e cheia de glória, vejamos dois aspectos:
  • Tal alegria era experimentada por ele mesmo! Ou seja, Paulo se alegrava por causa do bem estar espiritual dos seus irmãos; também se alegrava diante das perseguições; alegrava-se ao contemplar a comunhão dos irmãos; e se alegrava grandemente no Senhor 29!
  • Também vemos sua alegria pelo que fazia para que os outros se alegrassem no Senhor 30! Em outras palavras, ele se fazia cooperador da alegria dos que estavam sob os seus cuidados 31.
Assim, essas três coisas - reverência a Deus, confiança em Deus e alegria em Deus - podem ser resumidas numa palavra: Amor total de Paulo a Deus, pelo que Este fez a Paulo e aos seus irmãos! Ora, tal era o seu amor pelo Deus Trino que chegou ao ponto de declarar confiantemente: "Dou graças ao meu Deus" e, também no texto que estamos considerando, disse: "e o meu Deus".
Porventura, tal experiência não é semelhante à dos santos do Antigo Testamento, mencionados no início deste artigo? Recordemos, então, apenas as palavras de adoração de Moisés, as quais são a expressão do que temos visto em Paulo:
"O SENHOR é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai; por isso, o exaltarei32.
Quem, pois, conhecendo este Majestoso e Gracioso Deus e, envolvido no Seu amor redentor em Cristo por pecadores, deixará de expressar sua sincera adoração dizendo:
"Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! 33"?
Que majestoso, gracioso e Adorável é o Deus de Paulo!
Dessa maneira, vimos que o Deus de Paulo é: 1) O Deus Trino; 2) O Deus Santo; 3) o Único Suficiente Salvador; 4) O Rei dos reis e Senhor dos senhores; 5) o Deus Providente; 6) o Deus da Aliança eterna; e, portanto, o único que deve ser Reverente e Alegremente Adorado!
Esse Deus é o seu Deus? Ou seu deus é daqueles que são comandados por seus 'adoradores'? O Deus da Bíblia, que é o Deus de Paulo, é conhecido, confiável e reverente e alegremente adorado por você? Vale ou não vale a pena confiar seu futuro no "meu Deus"? No Deus que nos chamou em Cristo Jesus à Sua eterna glória 34?

Que segurança é ter o conhecimento experimental desse Deus!

"E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. Ora, a nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!"

1 - Fp 1: 20.
2 - Fp 4: 19, 20.
3 - Ref.:  Mt. 3:16-17; 28-19; II Co. 13:14; Jo. 1:14, 18 e 15:26; Gl. 4:6.
4 - Ref.:  Fp 1: 2; Fp 2: 11; Fp 4: 20.
5 - Ref.:  Fp 1: 19; Fp 2: 1; Fp 3: 3.
6 - Fp 1: 1.
7 - Lv. 11: 45; cf. Lv 19: 2; 20: 26; 21: 8.
8 - 1Co 1: 2.
9 - Fp 2: 14, 15.
10 - Fp 1: 5.
11 - Fp1: 19; 2: 13.
12 - Fp3: 20, 21.
13 - Fp 1: 2b; Fp 2: 11.
14 - Fp 3: 20, 21.
15 - Fp 2: 19.
16 - Atos 5: 29
17 - [Ref.  Ne. 9:6; Sl. 145:14-16; Dn. 4:34-35; Sl. 135:6; Mt.  10:29-31; Pv.  15:3; II Cr. 16:9; At.15:18; Ef.  1:11; Sl. 33:10-11; Ef. 3:10; Rm. 9:17; Gn. 45:5].
18 - [Ref.: Jr. 32: 19; At. 2: 13; Gn. 8: 22; Jr. 31: 35; Is.10: 6-7].
19 - [Ref. At. 27: 24, 31; Is. 55:10-11; Os.1:7; Rm. 4:20-21; Dn.3:27; Jo. 11:34-45; Rm. 1:4]
20 - Fp 1: 12.
21 - Fp 2: 26, 27.
22 - Fp 1: 29, 30.
23 - Jó 2: 10
24 - Lloyd Jones: Comentário de Filipenses, pág. 281.
25 - Mt 22: 31, 32.
26 - Rm 8: 31, 32.
27 - Cf Fp 2: 5-14.
28 - Fp 4: 13; 18.
29 - Cf.: Fp 1: 3; 1: 18; 2: 2,16-18; 4: 10.
30 - Cf.: 2: 28, 29; 3: 1; 4: 1; 4: 4, 10.
31 - F.: Fp1: 24-26.
32 - Êx. 15:2.
33 - Rm 11: 33-36
34 - 1Pe 5: 10.

Fortalecendo a confiança em Deus



Fortaleçam Mutuamente a Confiança em Deus


John Piper



John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes os dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.

1 Samuel 23,15–18
15 Vendo, pois, Davi que Saul saíra para lhe tirar a vida, deteve-se no deserto de Zife, em Horesa. 16 Então, levantou-se Jônatas, filho de Saul, e foi ter com Davi, em Horesa, e lhe fortaleceu a confiança em Deus, 17 dizendo-lhe "Não temas, porque a mão de Saul, meu pai, não te achará; porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo, o que também Saul, meu pai, bem sabe". 18 E ambos fizeram aliança perante o Senhor. Davi ficou em Horesa, e Jônatas voltou para sua casa.
A razão da mensagem de hoje é a profunda convicção da necessidade que temos de encorajar todos os membros de Bethlehem (igreja do Pr. Piper) e de todas as outras igrejas a fazerem parte de um pequeno grupo onde uns ajudam os outros a combater o combate da fé. E, assim, nosso foco hoje é o fortalecimento mútuo da confiança em Deus.
Segurança eterna é um projeto comunitário
Cremos que a segurança eterna é um projeto comunitário. Cremos que a perseverança dos santos é uma responsabilidade corporativa. O mesmo Senhor amoroso disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão" (João 10,27-28), também disse: "Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo" (Mateus 24:13).
Em outras palavras, aqueles que são nascidos de Deus estão eternamente seguros nas mãos de Jesus. E aqueles que são nascidos de Deus precisam perseverar até o fim para serem finalmente salvos. E, desse modo, a questão surge: como Deus ordenou manter seu povo perseverando na fé até o fim para que ele cumprisse infalivelmente a promessa de que estariam seguros e ninguém se perderia?
Estamos focando na parte crucial da resposta a essa questão: a saber, Deus ordenou que fôssemos ligados a outros cristãos de tal forma que pudéssemos ajudar uns aos outros a combater o bom combate da fé com sucesso, todos os dias, até o fim. A base bíblica para essa resposta é Hebreus 3:12-14.
12 Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; 13 pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. 14 Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até o fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos.
Deus designou um meio pelo qual ele nos capacitará a guardarmos firme, até ao fim, a confiança. É este: desenvolver relacionamentos cristãos nos quais uns ajudam outros a guardarem firme as promessas de Deus e a escaparem dos enganos do pecado. Exortem uns aos outros todo dia a se fortalecerem e se revestirem de toda armadura de Deus.
Seja parte de um grupo de cristãos
Infantes, crianças, adolescentes, estudantes universitários, solteiros, casados, viúvas, viúvos. Vocês são parte de um grupo de cristãos amigos que se empenham em ajudar mutuamente a combater o bom combate da fé e proteger uns aos outros dos abusos sutis do pecado?
Não digo que você não possa ser salvo sem pertencer a um pequeno grupo organizado. Entretanto, digo que acredito que este fazer parte é a palavra de Deus, e se você não tem este grupo de companheiros na fé, então está negligenciando um dos meios designados por Deus para sua preservação e perseverança na fé. E negligenciar os meios de graça é muito perigoso para sua alma.
Portanto, meu propósito é muito simples: motivá-lo a pertencer a um grupo menor de cristãos onde se pode exortar e ser exortado a combater o bom combate da fé dia após dia.
Quatro lições do encontro de Jônatas e Davi
O texto de 1 Samuel 23:15–18 é uma ilustração simples e profunda sobre o que necessita acontecer em um combate contínuo de fé.
Davi vai de um lugar a outro no deserto de Zife, cerca de trinta milhas ao sul de Jerusalém, tentando ficar longe do caminho de Saul. Este, rei de Israel, deseja matar Davi porque pensa que ele é um perigoso rival para o trono. Jônatas, filho de Saul, ama Davi e ouve que ele está no deserto de Zife e vai até lá para fortalecer a confiança de Davi em Deus.
Esse encontro entre Jônatas e Davi ilustra, pelo menos, quatro lições sobre ajudar uns aos outros a combater o bom combate da fé.
1. Todos necessitam de companheirismo cristão
Os santos mais profundos e os líderes mais fortes precisam de amigos para fortalecerem a confiança em Deus. Davi era profundo, forte e precisava de Jônatas.
Companheirismo cristão não é apenas para os cristãos novatos. É para cada cristão. Jamais crescemos sem a necessidade do ministério de outros cristãos. Se você imagina que está acima da necessidade de exortação diária no combate da fé, então, provavelmente, seu coração já é presa para o engano do pecado.
Davi foi um homem segundo o coração de Deus; um grande guerreiro. Não havia dúvida de que ele era superior a Jônatas em força, inteligência e profundidade de compreensão teológica. Mas o versículo 16 afirma que Jônatas foi até Horesa para fortalecer a confiança de Davi em Deus.
Não pense que um homem é tão forte que não precise ser fortalecido em Deus. E jamais pense que alguém que está bem acima de você não precisa de um instrumento de Deus para fortalecê-lo.
Charles Spurgeon falou para muitos líderes cristãos quando escreveu:
Alguns anos atrás, fui vítima de uma depressão terrível. Vários eventos aflitivos me aconteceram; eu estava enfermo e meu coração enfraqueceu. Desse abismo fui forçado a clamar ao Senhor. Exatamente antes de seguir para Menton a fim de ter um período de descanso, sofri muito no corpo, mas muito mais na alma, porquanto meu espírito estava esmagado. Sob essa pressão, preguei um sermão das palavras "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Estava preparado para pregar sobre aquele texto como jamais esperei estar; de fato, espero que poucos de meus irmãos possam ter adentrado tão profundamente naquelas palavras intensas. Senti de uma forma plenamente pessoal o horror de uma alma desprezada por Deus. Agora, isso não foi uma experiência agradável. Tremo à simples ideia de atravessar novamente por esse eclipse da alma; oro para que jamais sofra daquele jeito novamente. (Autobiografia, volume 2, p. 415).
Menciono isso para inculcar que os grandes santos, os mais valentes guerreiros, não estão isentos da necessidade de serem fortalecidos na confiança em Deus. De fato, os ataques do diabo contra eles podem tornar a necessidade deles ainda maior. Por conseguinte, a primeira lição de nosso texto é que você jamais supere sua necessidade de exortação diária. Os santos mais profundos e os líderes mais fortes precisam de companheiros para fortalecer a confiança em Deus.
2. Um esforço consciente
A segunda lição é que fortalecer a confiança em Deus envolve esforço consciente.
Isso é proposital. Você não o faz rapidamente. Você se levanta e vai até Horesa. O versículo 16: "Então, levantou-se Jônatas, filho de Saul, e foi ter com Davi, em Horesa, e lhe fortaleceu a confiança em Deus".
Que diferença isso faria em nossa igreja se, quando todos nós nos levantássemos de manhã, PLANEJÁSSEMOS fortalecer a confiança de alguém em Deus! Jônatas não encontrou Davi acidentalmente em Horesa, embora isso aconteça às vezes. Ele PLANEJOU ir e fortalecê-lo. A característica da maturidade cristã é que você cria em sua vida o propósito e as ocasiões para fortalecer a confiança de alguém em Deus. Quem você vai fortalecer a confiança em Deus hoje? Esta semana? Você tem um grupo de amigos comprometidos (intencionalmente) a ajudar mutuamente a combater o bom combate da fé desta forma?
Estou lendo Memoirs of Samuel Pearce (Memórias de Samuel Pearce), que pertencia a um dos pequenos grupos de pastores que fundou a primeiraBaptist Missionary Society (Sociedade Batista Missionária) em 1792. Dentre outros, havia John Ryland, John Sutcliff, Andrew Fuller e William Carey. Algo que se destaca é que esses homens amaram uns aos outros e, por isso, se reuniam e eram profundamente comprometidos a fortalecer mutuamente a confiança em Deus. Eles fizeram isso mesmo quando estavam separados por longa distância uns dos outros.
Samuel Pearce esperou por mais de um ano pela primeira carta de Carey depois que este foi à Índia. Mas quando ela chegou, Pearce escreveu a Carey (p. 58):
A narrativa que você nos transmitiu inspirou a nós com novo alento e muito fortaleceu nossa confiança no Senhor. Lemos, choramos, louvamos e oramos. Ó, quem, senão os cristãos, sentem esses prazeres quando estão unidos pela amizade com o nosso amado Senhor Jesus Cristo?
Esta não é uma grande frase? "Amizade COM o nosso amado Senhor Jesus Cristo".
O que eu realmente desejo hoje é que todos façam amizade COM Jesus Cristo —tenham um grupo de amigos na fé, com um acordo mútuo que, de forma contínua, apontarão, uns para os outros, Jesus Cristo para terem esperança e força.
3. Fortaleçam mutuamente a confiança em Deus
Esta é a terceira lição. A força que devemos transmitir mutuamente é a confiança em Deus, não em nós mesmos. O versículo 16 não afirma que Jônatas caminhou por todo aquele percurso até Horesa para fortalecer a autoconfiança de Davi. Ele não fez isso. O texto declara que ele se levantou e foi a Davi em Horesa e lhe fortaleceu a confiança em Deus.
Essa é a diferença entre a camaradagem cristã e todos os outros grupos de apoio, de terapia e de autoajuda. A ideia integral da amizade cristã é apontar uns para os outros a Cristo, não o homem, por ajuda e força.
Há um tipo de paradoxo aqui: por um lado, digo: "Preciso de você". Deus o designou como um meio de graça para me ajudar a perseverar até o fim. Mas, por outro lado, preciso dizer que a única forma de você realmente me ajudar é dizendo algo ou fazendo algo que me fará depender de Deus e não de você.
Aqui estamos novamente com nosso tema mais comum, que parece ser: a centralidade radical em Deus em tudo o que fazemos, mesmo em nossa unidade humana, nosso companheirismo e em nossa amizade. Essa unidade precisa ser uma amizade COM Jesus. Todo grupo cristão deveria existir para fortalecer a mútua confiança em Deus e não no homem. Essa é a terceira lição em nosso texto: "Jônatas se levantou e foi ter com Davi em Horesa e lhe fortaleceu a confiança em Deus".
 4. A lembrança mútua das promessas de Deus
Finalmente, como Jônatas fortaleceu a confiança de Davi? Como fazemos isso? Jônatas disse (versículo 17): "Não temas, porque a mão de Saul, meu pai, não te achará; porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo, o que também Saul, meu pai, bem sabe".
Como Jônatas sabia que Davi seria rei de Israel? Eles eram amigos íntimos e, assim, é difícil imaginar que Davi não houvesse dito a Jônatas sobre o evento no capítulo 16, quando o profeta Samuel ungiu Davi, enquanto ele era garoto, para ser rei de Israel. Portanto, a forma que Jônatas fortaleceu a confiança de Davi em Deus foi lembrar a ele da promessa que Deus havia feito (1 Samuel 16:12). Saul não poderia ter êxito contra Davi porque Deus era com ele. Assim, Jônatas fortaleceu a confiança de Davi em Deus por lembrar-lhe de seu destino nos propósitos de Deus.
E, desse modo, assim acontece conosco. Fortalecemos uns aos outros a confiança em Deus por lembrar mutuamente sobre as promessas dele, que são especialmente apropriadas para as necessidades mútuas.
O que você precisaria ouvir de seus amigos se você fosse William Carey e estivesse a 15 mil milhas de distância de casa combatendo o bom combate da fé com um amigo, rodeado por milhões de incrédulos? Você precisaria de algo como isto: as palavras de Samuel Pearce, um amigo precioso que sabia como fortalecer a confiança de Carey em Deus. Ouça como as promessas de Deus preenchem esta carta de 4 de outubro de 1794:
Irmão, desejo estar ao seu lado e participar em todas as vicissitudes do ataque — um ataque que nada, exceto a covardia, pode torná-lo bem-sucedido. Sim, o Capitão de nossa salvação marcha à sua frente. Às vezes, ele pode retirar sua presença (mas não seu poder) para testar nossa bravura com nossas armas espirituais e armadura celestial. Ó, o que uma fé viva não pode fazer pelo soldado cristão! Ela trará o Libertador dos céus; ela vai adorná-lo com uma vestidura molhada em sangue; ela o colocará na linha de frente da batalha e colocará um novo cântico em nossas bocas — "Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá". Sim, ele vencerá — a vitória é certa antes que entremos no campo; a coroa já está preparada para adornar nossas frontes, até a coroa de glória que não se desgasta, e já decidimos o que fazer com ela. Vamos colocá-la nos pés do vencedor e diremos: "Não a nós, SENHOR, mas ao teu nome dá glória", enquanto todo o céu se une em coro, "Digno é o Cordeiro" (Memoir [Memória], p. 66).
Bem, nem todos nós temos o dom de fortalecer nossos amigos com palavras como essas. Mas, se você saturar sua mente com a Palavra de Deus e meditar nela dia e noite, como o Salmo 1 diz, então você será uma fonte de água viva e irá fortalecer a confiança de muitos em Deus. O chamado de Deus para você esta manhã é: "Venha, vamos fortalecer mutuamente a confiança em Deus!" Amém.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Divórcio - Pr. Ariovaldo Ramos


O Pastor Ariovaldo Ramos, da Comunidade Cristã Reformada de São Paulo, falou ao livro “Divorciados longe dos muros das lamentações”, da escritora Virginia Martin, sobre como foi e o que sentiu quando se divorciou.
O pastor fala ao site a respeito da dificuldade em estar ao púlpito, que segundo ela por mais aceito e compreendido que seja pelos irmãos, ele ainda assim leva consigo um estigma e carrega em seus olhos a dor, mas ainda em meio as suas lutas interiores reconhece a graça de Deus em sua vida.
“As palavras que o Senhor tem me dito têm calado no coração de muitos irmãos e irmãs. E isso é um grande consolo. Mas, apesar disso, toda a vez que subo ao púlpito, que me é sagrado, sinto que, por mais aceito que eu seja, eu carrego um estigma, e não consigo tirar a dor de meus olhos, porque eu sei que eles estão certos, eu passei por algo que eles não querem passar e não sabem como isso pode acontecer com alguém que precisa estar no púlpito.” diz ele.
Veja o texto escrito pelo Pastor Ariovaldo ao livro:
O senhor quer se divorciar? Perguntou-me a juíza. O que deixava a situação ainda mais embaraçosa. Eu estava esperando por um juíz! Não, quem quer se divorciar é ela. Respondi!
O senhor leu os autos e está pronto para assinar o documento? Sim. Respondi, sem ênfase.
No fim, parece que era só disso que se tratava: assinar um documento.
Pronto! Meses de angústia, e de lágrimas, e de orações aparentemente não respondidas, como num passe de mágica, estariam resolvidos com uma assinatura! Eu estaria livre!
Mas quem disse que eu queria me ver livre do que quer que fosse?
Eu havia vivido mais de duas décadas só para isso. Com acertos, com erros, com pedidos e frases de perdão, eu vivi só para o casamento: todos os sins e todos os nãos que disse, os disse para continuar o casamento. Todo o processo de desmascaramento de minha imaturidade, e todo o processo doloroso de crescimento tinha como pivô o casamento.
Eu não queria me livrar disso… Eu não sabia mais viver sem isso!
Estava pronto para encaminhar a minha prole à vida, para viver a vida com quem, depois de muitas idas e vindas eu, realmente, queria viver.
O senhor já assinou? Ah! Sim. Está aqui. Respondi à voz que interrompia-me em meio a pensamentos em que eu tentava processar a minha dor.
Saí com aquele papel nas mãos, e aquele papel em minhas mãos era tudo o que eu conseguia sentir sem doer.
Não tinha idéia do que a estivesse acometendo. Não me importava! Ela quis o divórcio! Ela era a culpada!
Naquela altura eu não sabia que muita coisa iria mudar, e teria de mudar para que a esperança retomasse espaço em minha vida. A culpa seria repartida. Muita coisa que entendi resolvida por palavras ditas, ainda que com sinceridade, teriam de ser revistas por mim e em mim. Muita coisa que entendi ser de menor importância teria de ser revalorada. E muita dor que nunca entendi ter provocado teria de ser assumida.
O tempo passou! Superei! Não sem dor e não sem acabar por provocar dor em quem não tinha nada a ver com isso!
A Virgínia diz que é preferível estar no redemoinho do que no olho do furacão. Concordo! Mas do redemoinho a gente acaba por atingir gente que estava só assistindo ao tufão. E isso aumenta o lamento que a gente sabe que vai carregar.
Acalmou o meu coração! Mas se instalou um indisfarçavel medo.

BEREANOS


Bereanos: Crentes Bíblicos

Bereanos são o povo nascido na Macedônia , mais precisamente na cidade de Beréia, a qual foi  visitada por Paulo em sua segunda viagem missionária por volta do ano de 52 DC (BÍBLIA DE ESTUDOS DE GENEBRA, 2009), conforme ilustra a figura 1. Desde 168 DC, Beréia atualmente  possui o nome de  Véria , e, desde 1912 foi incorporada ao território da Grécia conforme marcado na figura 2.

Figura 1 - Segunda viagem de Paulo
A Bíblia relata sobre os Bereanos em Atos capítulo 17, versículo 11 “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (BÍBLIA SAGRADA. Tradução, Almeida, João Ferreira de. Edição corrigida e revisada fiel ao texto original, 1995), assim, conforme (HENRICHSEN, 1997), são definidos como um povo cuja convicção era formada nos ensinamentos da Bíblia.

Figura 2 - Localização da cidade de Véria, Grécia atual.
É importante que a convicção se forme embasada no que a Bíblia ensina sem dependência de comentários, credos e sermões. Todos os materiais para estudo bíblico são válidos, tais como enciclopédias, comentários e obras expositivas. Entretanto, devem ser utilizados apenas após ser aplicado o princípio de investigação original, a Palavra de Deus. (HENRICHSEN, 1997)
Aquele povo buscou encontrar nas Escrituras Sagradas a confirmação daquelas novas que em tudo lhes pareciam boas, eles valorizavam a verdade bíblica e colocavam acima de quaisquer outras fontes pretensas de autoridade. Isso justifica o fato de Paulo não ter escrito nenhuma carta aos Bereanos – não era necessário, pois eram crentes bíblicos, ao passo que seus vizinhos da Tessalônica receberam duas. (LEITE, 2009)
A Bíblia ratifica e nos admoesta sobre tal comportamento em 1 Tessalonicenses 5: 21 está escrito “Examinai tudo. Retende o bem.”; em João 5:39, “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” e como resposta aos saduceus, dentro deste mesmo contexto Jesus disse: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (BÍBLIA SAGRADA. Tradução, Almeida, João Ferreira de. Edição corrigida e revisada fiel ao texto original, 1995).
Se a vontade de Deus é que os homens “cheguem ao pleno conhecimento da verdade” então o homem terá que fazer algo para alcança-lo. Sabedoria sim é de Deus. Nobre são os cristãos que a conhecem e que a analisam os fatos segundo às Escrituras Sagradas, assim como demonstram os Bereanos.

Bibliografia


BÍBLIA SAGRADA. Tradução, Almeida, João Ferreira de. Edição corrigida e revisada fiel ao texto original. (1995). São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

BÍBLIA DE ESTUDOS DE GENEBRA. (2009). São Paulo: Editora Cultura Cristã; Sociedade Bíblica do Brasil.

HENRICHSEN, W. A. (1997). Método de Estudo Bíblico – A layman’s guide to interpreting the Bilble, tradução: Odair Olivetti. São Paulo: Mundo Cristão.

LEITE, L. (2009). A inteligência do evangelho. São Paulo: Naós.

terça-feira, 5 de março de 2013

Apocalípse 17






Apocalípse 17

Babilônia: A Grande Meretriz (Apocalipse 17:1-18)
As sete taças já foram derramadas. As forças da natureza e os poderes políticos serviram para castigar os adoradores da besta. Agora um dos sete anjos do capítulo 16 leva João para ver de perto a Babilônia e sua destruição. Este capítulo é de grande importância na determinação da data do Apocalipse e na identificação da aplicação principal de algumas das profecias deste livro. Entre outras coisas, procuramos aqui entendimento das cabeças da besta e da meretriz montada nela.
Quem é a Meretriz?
Um dos pontos mais polêmicos no estudo do Apocalipse é a identidade da grande meretriz. As interpretações mais comuns são quatro, envolvendo duas cidades:
               
Œ Roma, como cidade principal do império romano, ou o poder comercial e econômico dela
             
  Roma, como cidade principal da Igreja Romana Católica

 Ž Jerusalém como existia antes da destruição de 70 d.C.
              
 Jerusalém futura como sede do suposto reino terrestre de Jesus

Proponentes das várias interpretações oferecem seus argumentos. Nossa interpretação deve respeitar as evidências bíblicas e históricas, rejeitando explicações que contradizem o próprio livro, mesmo quando tais explicações sejam populares e muito difundidas. 
Podemos já rejeitar a segunda e a quarta das interpretações acima, pois contradizem o próprio Apocalipse. João recebeu uma revelação de coisas que iam acontecer “em breve” (1:1; 22:6), pois o tempo já estava “próximo”quando Jesus as revelou (1:3; 22:10) e prometeu vir em julgamento “sem demora” (22:12,20). As interpretações futuristas são sensacionais e fascinantes e certamente vendem muitos livros e enchem os bancos de muitas igrejas, mas não respeitam as evidências internas. As interpretações que identificam o Vaticano e alguns dos aspectos mais tristes da história da Igreja Católica ganharam muitos adeptos desde a Reforma Protestante, e ainda têm seus defensores hoje. Mas o desenvolvimento do catolicismo demorou séculos, enquanto João escreve sobre poderes existentes na sua época. Há muitos motivos justos para criticar a igreja católica, mas não devemos adotar interpretações forçadas de textos bíblicos. Tais abordagens não fortalecem o caso para ajudar católicos verem os problemas na sua igreja.
Os debates mais sérios sobre a identidade da grande meretriz focalizam na primeira e terceira interpretações. Vários estudiosos afirmam que a grande meretriz é Jerusalém, aguardando a sua destruição profetizada por Jesus e realizada por Tito no ano 70 d.C. Estas interpretações respeitam os limites de tempo citados acima, sugerindo que o livro fosse escrito durante o reinado de Nero e cumprido na destruição de Jerusalém dois anos depois da morte dele. Outros identificam a meretriz com Roma ou algum aspecto do poder de Roma, como sua influência econômica no mundo do primeiro século. Muitas pessoas que aplicam o texto a Roma aceitam uma data no reinado de Domiciano (imperador de 81 a 96), e outras defendem uma data durante o reinado de Vespasiano (69 a 79).
A tabela abaixo apresenta alguns contrastes entre as opções 1 e 3 de uma forma resumida. Como pode observar, há características que podem se aplicar tanto a Roma como a Jerusalém. Embora respeito as opiniões e os argumentos daqueles que defendem a aplicação desta profecia à destruição de Jerusalém em 70 d.C., acredito que as evidências favorecem a primeira explicação – que a grande meretriz era Roma ou seu poder econômico, pois ela foi a sede da economia mundial no primeiro século.
A Grande Meretriz: Roma ou Jerusalém? (Apocalipse 17 - 18)
Característica
Roma
Jerusalém
Sentada sobre muitas águas (17:1)
Seu poder vinha dos povos dominados
Procurava manter uma certa independência
Com quem se prostituíram os reis da terra (17:2)
Dominava os reis de muitos países; Descrição da Babilônia antiga (Jeremias 51:7)
Relativamente insignificante; Alguma vez foi descrita como a fonte do pecado das nações?
Vinho de sua devassidão (17:2)
Conhecida por sua imoralidade e excessos
Cidade rebelde, mas não conhecida por impureza exagerada (1 Pedro 4:3-4 – gentios)
Montada na besta do poder romano (17:3; cf. 13:1-8)
Roma e sua economia dependiam do poder romano
Foi dominada pelos romanos
Vestida de púrpura, escarlate, ouro, pedras preciosas, etc. (17:4; 18:16)
Luxo, nobreza, sedução; os soldados da Babilônia antiga se vestiam de escarlata (Naum 2:3)
Jerusalém antiga foi descrita assim (Jeremias 4:30)
Cálice de abominações e imundícias (17:5)
A Babilônia foi o cálice que causou as nações a enlouquecerem (Jeremias 51:7)
O cálice da ira vem de Jerusalém (Zacarias 12:2,5,9), mas o cálice da imundícia??
A mãe das meretrizes (17:5)
Cidades gentias como meretrizes e prostitutas (não como adúlteras) – Isaías 23:13-18; Naum 3:4
Jerusalém como adúltera ou prostituta (Jeremias 13:27), comete adultério com as nações (Ezequiel 23:4-5)
Embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas (17:6; 18:20,24)
Perseguia os cristãos, especialmente nos reinados de Nero, Domiciano, etc.
Perseguia os santos e profetas (Lucas 11:48-51), incluindo testemunhas de Jesus (Atos 7:51-52,58-60)
Sete montes (17:9)
Cidade de sete montes
Cidade de sete montes
Sete reis – 5 -1 - 1 - 1
8º é a besta (17:9-11)
Se começar com Augusto, aplica-se a Domiciano
Se começar com Júlio, aplica-se a Tito
A mulher é grande cidade que domina sobre os reis da terra (17:18)
Roma dominava os reis da terra na época de João
Jerusalém dominava como soberana de Deus e lugar do templo (Salmo 68:29) – agora é meretriz ou mulher fiel????
Destruição interna (17:16-17)
História do declínio de Roma (cf. Daniel 2:42-43)
Destruída pelos romanos
















Nos comentários sobre a grande meretriz, procurarei mostrar significados relevantes a Roma. Também mostrarei, nesta lição, por que eu acredito que João tenha escrito o livro durante o reinado de Vespasiano.
17:1 – Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas,
Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo: A queda da grande meretriz já foi anunciada em 14:8, e ela recebeu o cálice da ira de Deus quando a sétima taça foi derramada (16:19). Agora um dos anjos que derramaram as taças mostra mais detalhes para João.
Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas: As águas referem-se aos povos ou nações. A besta, o poder do governo romano, surgiu do mar (13:1). A grande meretriz – a cidade e seu poder econômico – se acha sentada sobre as nações. A grandeza dela dependia dos povos dominados pelo império romano.
17:2 – com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra.
Com quem se prostituíram os reis da terra: A prostituição entre nações é uma figura que sugere alianças. Encontramos linguagem quase igual na condenação de Nínive, a antiga cidade principal do corrupto império assírio (Naum 3:4-5), e nas críticas feitas a Tiro, a cidade que dominava o comércio no mar mediterrâneo no tempo de Isaías (Isaías 23:15-18). Roma, na época de João, mantinha suas relações com diversos reis, dominando todos os países da região mediterrânea.
Com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra: Esta mesma acusação foi feita pela segunda voz (14:8). Roma corrompeu outras nações, envolvendo-as na sua libertinagem. Os excessos de Roma, e especialmente de alguns dos imperadores, são bem documentados na história do período. Países que estabeleceram relações favoráveis ao comércio com Roma lucraram como fornecedores de bens consumidos neste contexto materialista. A mesma descrição pode incluir outros aspectos da corrupção romana – ganância, idolatria, imoralidade, etc.
Como já observamos em outras citações, “os que habitam na terra” são os ímpios (cf. os comentários sobre 13:6 e 8 na lição 22).
17:3 – Transportou-me o anjo, em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres.
Transportou-me o anjo, em espírito: 600 anos antes desta visão de João, o profeta Ezequiel foi levantado pelo Espírito e levado a ver as condições da cidade de Jerusalém para ajudá-lo a entender e comunicar os motivos do castigo de Judá (Ezequiel 3:12,13; 8:14,16; 11:1,24). Aqui, João é levado à Babilônia para ver os planos de Deus de castigar a cidade mundana.
A um deserto: João já viu uma mulher levada ao deserto para ser protegida (12:6,14). Desta vez, é uma mulher totalmente diferente no deserto. Ela está sendo protegida, temporariamente, pela besta. Esta mulher é a grande meretriz. A profecia de Isaías contra a Babilônia é descrita como “sentença contra o deserto do mar” (Isaías 21:1,9).
Uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres: A mulher está montada na besta do mar (13:1), que representa o poder imperial de Roma. A grande meretriz depende do poder de Roma para sua sobrevivência.
17:4 – Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição.
Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas: Já sabemos que ela é uma meretriz (17:1), mas ela se veste como se fosse uma mulher rica, de nobreza ou realeza.
Tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição: A Babilônia dera às nações “o vinho da fúria da sua prostituição” (14:8). Da mesma maneira que a Babilônia histórica, cidade principal de sua época, deu seu vinho às nações e causou a loucura delas (Jeremias 51:7), a Babilônia simbólica, Roma, deu de seu cálice às nações de seu tempo. Todas queriam participar do “sucesso” da grande cidade mundana, e iam participar, também, do castigo que viria sobre ela. Mesmo ela sendo bem-vestida e atraente às nações, Deus viu o seu cálice cheio de abominações e imundícias, coisas repugnantes ao Santo Senhor.
17:5 – Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das Abominações da Terra.
Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das Abominações da Terra: A mulher não esconde a sua verdadeira identidade. As características da Babilônia são encontradas em Roma, e o nome passa a representar esta cidade e sua influência como prostituta corrompendo as nações. Isaías chamou Tiro de meretriz, dizendo que “ela tornará ao salário da sua impureza e se prostituirá com todos os reinos da terra” (Isaías 23:15-17). Uma profecia contra Nínive disse: “Tudo isso por causa da grande prostituição da bela e encantadora meretriz, da mestra de feitiçarias, que vendia os povos com a sua prostituição e as gentes, com as suas feitiçarias” (Naum 3:4). Roma, por sua influência sobre as nações do mundo, é descrita como a mãe das meretrizes.
17:6 – Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto.
Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus: Ela deu aos outros a beber, mas ela também ficou embriagada. A “bebida” da meretriz é o sangue dos servos do Senhor. São os mesmos que pediram a justiça divina no quinto selo (6:9-11), aqueles que não amaram a própria vida quando encararam a morte (12:11), e que se mostraram fiéis até à morte (2:10). A grande meretriz cairia por causa da perseguição aos discípulos de Jesus.
E, quando a vi, admirei-me com grande espanto: Que cena horrível e assustadora! A mulher embriagada com sangue – o sangue dos conservos de João.
17:7 – O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher:
O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste?: O anjo viu a reação de João, e imediatamente começa a responder à preocupação do profeta.
Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher: O entendimento do significado desta visão, implicitamente, aliviará o espanto de João. O anjo promete uma explicação sobre a meretriz e sobre a besta. Esta explicação se segue nos próximos versículos.
17:8 – a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá.
A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo: Sabemos que a besta representa o poder do império romano e, também, os seus reis ou imperadores (cf. 17:11). Este versículo coloca a revelação dada a João entre dois reis descritos como “a besta” e durante o reino de um outro, que não agia como a besta. Já sabemos de algumas características da besta, conforme a apresentação no capítulo 13 e alguns comentários posteriores. A besta recebeu sua autoridade do dragão e aceitou a adoração dos homens, que o tratavam como se fosse Deus. Ele agia com arrogância e blasfêmia contra Deus, difamando o tabernáculo (o povo do Senhor). Pelejou contra os santos e os venceu. Os que recusavam a adorar a besta sofriam discriminação econômica, e alguns deles foram mortos. Juntando estas informações, entendemos que os imperadores identificados como “a besta” são reis que perseguiam os santos de Deus. Um perseguidor já era. Seria a cabeça “golpeada de morte” (13:3). Mas essa ferida foi curada, e o poder romano não acabou (13:3). João escreve durante um período de relativa tranqüilidade (a besta “não é”), mas um outro perseguidor ia emergir do abismo. Como já veremos, estes comentários do anjo ajudam na datação do livro, colocando-o entre os perseguidores Nero e Domiciano. Mais detalhes se seguem nos versículos 10 e 11.
E caminha para a destruição: O poder imperial, a besta, caminha para a destruição. A palavra traduzida destruição aparece no Apocalipse somente aqui e no versículo 11, embora seja comum em outros livros do Novo Testamento (veja Mateus 7:13; João 17:12; Atos 8:20; Romanos 9:22; Filipenses 1:28; 3:19; 1 Timóteo 6:9; Hebreus 10:39; 2 Pedro 2:1-3; 3:7,16; etc.). Uma cabeça já foi golpeada, mas sobreviveu. Outra virá e será destruída. Antes de emergir do abismo, o seu destino já foi selado!
E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá: Novamente, encontramos“aqueles que habitam sobre a terra”. São os ímpios, os adoradores da besta. Estes se admirarão que a besta voltou. Os que habitam no céu, aqueles cujos nomes estão no Livro da Vida, não se admiram, pois sabem que Deus está controlando tudo e que o poder da besta não durará. Para mais informações sobre o Livro da Vida, veja os comentários sobre 3:5 e 13:8. Desde a fundação do mundo, Deus preparou seu plano para a salvação dos fiéis. Ele planejou a vinda de Jesus, sua vida, morte e ressurreição. Preparou a revelação do evangelho. Estabeleceu os termos de admissão ao seu reino. Ao longo da história, ele veio anunciando, aos poucos, este plano, até chegar à revelação de Jesus e do evangelho no Novo Testamento. Agora, aqueles que decidem servir a Jesus têm seus nomes escritos no Livro da Vida.
17:9 – Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis,
Aqui está o sentido, que tem sabedoria: O anjo já prometeu explicar o significado da visão, e agora chama a atenção de João aos pontos principais.
As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada: A meretriz está sentada sobre sete montes. Várias cidades foram conhecidas, ao longo da história, como cidades de sete montanhas ou colinas. As pessoas que aplicam as profecias sobre a grande meretriz à cidade de Jerusalém oferecem algumas citações de Jerusalém como uma cidade de sete montes. Mas a aplicação natural desta expressão no contexto do Apocalipse é à cidade de Roma, bem conhecida na época de João como a cidade de sete colinas. Esta interpretação se ajusta aos outros aspectos da descrição desta cidade que dominava “sobre os reis da terra” (17:18).
São também sete reis: Na linguagem simbólica da Bíblia, duas imagens diferentes podem representar uma idéia ou personagem. Por exemplo, Jesus é um Cordeiro e um Leão (5:5-6) e o diabo é um dragão e uma serpente (12:9). Aqui uma imagem representa duas idéias diferentes. As sete cabeças são sete montes, e também são sete reis. Nos versículos seguintes, torna-se evidente que são sete reis específicos. Esta mensagem comunica aos santos na época de João informações sobre o passado e o futuro, identificando a conjuntura histórica em que eles se encontraram.
17:10 –  dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco.
Dos quais caíram cinco: Os primeiros cinco imperadores romanos já caíram. Este fato nos ajuda a determinar uma data do livro depois do suicídio de Nero, que aconteceu em 68 d.C.
Nota: Algumas interpretações se baseiam numa lista diferente de imperadores, tipicamente começando com Júlio César e citam algumas referências históricas (Flávio Josefo, etc.) para apoiar esta explicação. Os mesmos comentaristas reconhecem, porém, o perigo de se justificar com base em alguma referência histórica que contradiz as informações bíblicas. Eles rejeitam, como eu também faço, as interpretações que dão mais peso às referências históricas do que às evidências internas quando se trata da datação do livro. Apesar de textos extra-bíblicos que datam o Apocalipse no final do reinado de Domiciano, as evidências internas favorecem uma data anterior. No caso de determinar um ponto de partida para a lista dos reis, tanto as evidências internas como a maioria das citações históricas favorecem a posição usada neste estudo, de que Augusto foi o primeiro imperador romano. Entre as observações históricas sobre esta questão, devemos observar dois fatos:
➊ Júlio César se declarou ditador durante o período da República Romana (um erro político que provocou o seu assassinato), mas Augusto foi o primeiro reconhecido pelos romanos como imperador. Caio Júlio César Otaviano, conhecido como César Augusto, tinha 18 anos de idade quando seu tio e pai adotivo, Júlio César, foi assassinado em 44 a.C. Nos anos seguintes, a instabilidade política em Roma levou ao fim da República e a Augusto foi dado poder absoluto pelo Senado em 27 a.C.
➋ Não houve uma sucessão direta, como seria o caso de passar a autoridade de imperador de pai para filho. Augusto conseguiu consolidar o poder em 31 a.C., e seu reinado como imperador começou 17 anos depois da morte de Júlio, em 27 a.C.
Respeito as opiniões ao contrário, mas acredito que as evidências favorecem uma contagem de “reis” a partir de Augusto, o primeiro imperador de Roma. Assim, o anjo declara que Augusto, Tibério, Gaio Calígula, Cláudio e Nero já caíram.
Nero foi o último imperador da dinastia Júlio-Claudiana. A revolta de Galba e a rejeição de Nero pelo Senado forçou o imperador a fugir. Seu suicídio em 68, sem deixar filhos, foi o fim de sua linhagem e o golpe mortal de uma das cabeças da besta, citado em 13:3.
Um existe: Depois da morte de Nero, houve guerra civil em que quatro homens tentaram se estabelecer como sucessores de Nero (este período é conhecido como o ano dos quatro imperadores). Galba, Otão e Vitélio fracassaram. Vespasiano estabeleceu a próxima linha de imperadores, conhecida como a dinastia Flaviana, que inclui o próprio Vespasiano e seus dois filhos, Tito e Domiciano. Para identificar aquele que “existe” quando João escreve, precisamos comparar a profecia dele com a de Daniel 7. Na visão de Daniel, os reis foram representados pelos dez chifres do quarto animal. Quando subiu o décimo-primeiro, três foram arrancados (Daniel 7:8), deixando um total de oito. Da mesma maneira que os quatro animais de Daniel se transformaram em uma besta para João (veja os comentários sobre 13:2 na lição 22), os 11 reis de Daniel são oito para João, pois estes três insignificantes já foram, e Vespasiano se estabeleceu como o sexto rei. Se João tivesse escrito o livro na época de Nero, como alguns afirmam, ele teria a mesma perspectiva de Daniel, ainda aguardando aparecer estes três reis. Escrevendo depois de Vitélio, ele nem menciona os três que fracassaram entre Nero e Vespasiano. Apesar de alguns comentários feitos nas décadas e séculos depois colocando o exílio de João e o Apocalipseno reinado de Domiciano, eu acredito que a evidência interna favorece uma data entre 69 e 79, durante o reinado de Vespasiano.
O outro ainda não chegou; e quando chegar, tem de durar pouco: O próximo imperador seria Tito, o filho de Vespasiano, que reinou de 79 e 81. Assim foi cumprida a profecia que “tem de durar pouco”. Interpretações que sugerem que o livro fosse escrito durante o reinado de Nero e que o oitavo rei fosse Tito enfrentam algumas dificuldades aqui. Primeiro, teriam que explicar em que sentido Cláudio pode ser entendido como a besta que foi ferida mortalmente, desde que não há registro de perseguição aos cristãos pelos romanos na época de Cláudio. Segundo, teriam que explicar como Vespasiano seria o outro que ainda não chegou e ia durar pouco, quando o reinado dele foi bem maior do que o reinado de Tito. E ainda oferecendo alguma explicação para estas questões, teriam que mostrar o seu caso mais forte conforme as evidências internas e as comparações com Daniel.
17:11 – E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição.
E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete: Depois das perseguições do reinado de Nero (a besta que era), os servos de Deus passavam por alguns anos mais tranqüilos (não é), mas ainda teriam mais sofrimento pela frente. A besta ia surgir de novo na forma do oitavo rei, Domiciano. Em dois sentidos, pode afirmar-se que ele “procede dos sete”: Era filho de Vespasiano, e também ressuscitou a política de perseguição de Nero. João, escrevendo durante o reinado de Vespasiano, disse que a besta estava “para emergir do abismo” (17:8). Daniel falou sobre este rei (o décimo-primeiro do seu ponto de vista): “Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo. Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim” (Daniel 7:25-26). À besta do mar “Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses” (13:5).
E caminha para a destruição: Aqui vem o conforto oferecido aos santos. A besta emergiria do abismo e perseguiria os servos do Senhor. Mas o seu tempo seria limitado (42 meses, ou três anos e meio, representa um tempo limitado de angústia) e seu destino já foi determinado pela justiça de Deus – “Caminha para a destruição” (17:8); “Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada” (13:10); “Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim” (Daniel 7:26). A comparação destes trechos reforça o entendimento que este oitavo rei caminha para sua própria destruição, e não que destrói outros (como alguns sugerem quando aplicam a profecia a Tito, o filho de Vespasiano que destruiu Jerusalém antes de se tornar imperador).
17:12 – Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora.
Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora: Durante uma boa parte do império romano, foi usado um sistema conhecido como “rei-cliente”, em que reis subordinados ao imperador governavam províncias do império. Os Herodes, que governavam a Judéia, servem como exemplo deste tipo de rei subordinado, ou rei fantoche. Os reis-clientes durante o reinado de Domiciano, reinariam “com a besta”, mas o seu tempo seria curto – “durante uma hora”. Em contraste, os servos do Senhor que não adoraram a besta, foram prometidos o privilégio de reinar “com Cristo durante mil anos” (20:4). Os vencedores receberiam “autoridade sobre as nações e com cetro de ferro as regerá” (2:26-27). Não precisamos entender uma hora literal, nem mil anos literais, para apreciar o contraste. É melhor ser um servo de Cristo do que um rei no império romano!
17:13 – Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem.
Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem: São meramente fantoches. Não têm poder próprio, pois todo o seu poder é dado à besta. Já observamos que a besta surge do mar e depende das nações, da sociedade humana, para seu poder e a sua existência. O imperador romano mantinha seu poder por dominar as nações e seus reis.
17:14 – Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.
Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá: A besta usará todos os seus recursos, até os reis subordinados, para resistir o poder de Jesus e afligir os santos. Já sabemos que os reis da terra seriam reunidos para uma batalha em Armagedom (16:14,16). Sabemos, também, que servem à besta e ajudarão na perseguição dos fiéis. Mas mais importante de tudo, sabemos que a vitória será do Cordeiro!
Pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis: A certeza da vitória está na natureza divina do Cordeiro. Não é questão do tamanho do exército ou da estratégia dos guerreiros. Ele vencerá porque é o Senhor dos senhores! Este título é mais uma prova da divindade de Jesus, pois a Bíblia afirma que Deus (YHWH) é o Senhor dos senhores: “Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível” (Deuteronômio 10:17; cf Salmo 136:3; 1 Timóteo 6:15). No Apocalipse, este título é aplicado a Jesus (17:14; 19:16). Os reis da terra podem receber autoridade da besta para reinarem durante uma hora (17:12), mas tanto a besta como os reis cairão. Podem olhar para a meretriz como “a grande cidade que domina sobre os reis da terra” (17:18), mas o destino dela já foi anunciado (14:8). Jesus é o Soberano, o verdadeiro Rei dos reis!
Vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele: Os servos fiéis participam da vitória do Cordeiro. Os servos do Senhor venceram o diabo “por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (12:11). A garantia da vitória está na lealdade ao verdadeiro Soberano. Aqueles que confiam na besta serão derrotados, enquanto os servos do Cordeiro têm certeza da vitória final. As cartas nos capítulos 2 e 3 prometem recompensas aos vencedores, dizendo que receberiam autoridade para dominar as nações com cetro de ferro (2:27). Aqueles que foram comprados com o sangue do Cordeiro “reinarão sobre a terra” (5:10). As almas dos decapitados “reinaram com Cristo durante mil anos” (20:4). Na Nova Jerusalém, os servos de Cristo “reinarão pelos séculos dos séculos” (22:5).
17:15 – Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas.
As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas: A besta surgiu do mar, tomando sua força das nações (13:1). A meretriz, Roma, e seu poder econômico dependem das nações e das relações comerciais no império. O mar e o comércio são ligados um ao outro no castigo da segunda trombeta, que atinge a terça parte da vida no mar e um terço das embarcações (8:9). Roma dominava o comércio entre três continentes pelo seu controle do mar Mediterrâneo. Mas se essas nações voltarem contra a meretriz, ela perderia sua força.
17:16 – Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo.
Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo: Na interpretação da visão de Nabucodonosor, aprendemos que Roma seria um reino misto, dividido, ao mesmo tempo forte e fraco (Daniel 2:40-43). Segundo os relatos históricos, um dos principais motivos do declínio de Roma foi a dissensão interna, envolvendo conflitos entre generais, problemas com os líderes das províncias, etc. No final do primeiro e durante o segundo século, tais conflitos dentro do império começaram. Durante o reinado de Trajano, o império chegou à sua extensão geográfica máxima. Ele morreu em 117 e, logo em seguida, seu sucessor devolveu a Mesopotâmia aos partos, o primeiro de vários incidentes que tiveram o efeito de diminuir e dividir o império. A glória de Roma foi se perdendo devido, em boa parte, aos excessos de alguns imperadores e aos problemas com os povos já subjugados.
17:17 – Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus.
Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento: A besta e a meretriz podem se enganar, achando que exerçam domínio verdadeiro sobre os reis e as nações. Mas é Deus quem exerce o controle verdadeiro. Mesmo quando as nações se rebelam contra o verdadeiro Senhor, ele controla tudo para seus propósitos. Este versículo reafirma um princípio antigo e bem-estabelecido nas Escrituras: “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer”(Daniel 4:32). Quando Deus usa nações ímpias para castigar outras, elas geralmente não reconhecem a mão do Senhor, achando-se donos de si e capazes de controlar o próprio destino (cf. Isaías 10:5-8).
O executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus: Uma parte do plano de Deus para vencer a besta foi o aumento do poder dela. Deus a deixou crescer cada vez mais forte, dominando os reis das nações, enquanto preparava o castigo dela. Nas décadas depois de João escrever o Apocalipse, o poder romano foi aumentando, chegando ao seu auge no final do reinado de Trajano. A partir daquela época, perdeu território e poder aos poucos.
17:18 – A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra.
A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra: A explicação inspirada revela o significado da meretriz, da grande cidade. A grande cidade no Apocalipse é a Babilônia (14:8; 16:19; 17:5); é a cidade mundana que se colocou contra Deus no espírito de Egito, Sodoma e Jerusalém (11:8). Ela é Roma, a cidade que dominava sobre os reis da terra na época de João.
Conclusão
Nos capítulos 12 e 13, conhecemos três grandes inimigos do povo de Deus – o dragão e suas duas bestas. No capítulo 17, conhecemos mais uma aliada do dragão, a grande meretriz Babilônia. Ela é descrita como a cidade sentada sobre sete montes, bêbada com o sangue dos santos, que dominava os reis da terra. Ela depende da besta do mar, o poder do império romano. Este capítulo esclarece melhor o significado da besta, apontando ao poder perseguidor do governo romano, especialmente às perseguições que seriam feitas por um imperador que viria pouco depois da profecia de João.

Perguntas
1. Quem estava sentada sobre muitas águas? Estas águas representam o quê?
2. Quem se prostituíram com a grande meretriz? 
3. A besta descrita em 17:3 é qual das duas introduzidas no capítulo 13? Ela representa o que? 
4. Qual o nome da grande meretriz? 
5. A mulher estava embriagada com qual bebida? 
6. João precisava se admirar com a visão da meretriz? (Compare 17:6-8 com 13:3) 
7. As sete cabeças da besta têm duplo sentido. Representam o que?
8. Da seqüência de oito reis, João escreveu o Apocalipse durante o reinado de qual? 
9. Como as cabeças da besta aqui relacionam-se aos chifres de Daniel 7? 
10. O que significam os dez chifres da besta no Apocalipse? Reinam durante quanto tempo? 
11. Quem vira contra a meretriz? 
12. Quem controla os reinos dos homens para cumprir a sua vontade? 
13. Qual relação a grande cidade tem com os reis da terra? 
14. Melhor ser rei com a besta ou servo do Cordeiro? Explique sua resposta.
15. Juntando todas as evidências, o que você entende ser o significado da grande meretriz?


Fonte: Estudos Bíblicos
estudosdabiblia.net